sábado, 30 de julho de 2011

No meio da poeira

E eu que me jugava tão racional
deixei de lado a razão
procurei no improvável
o que se fez necessário
e tenho trocado o certo pelo sonho
agora ando assim errante em um deserto
não vejo o céu
não sei do tempo
o sol me faz arder
afundo na areia do meu próprio fim
só falta admitir que assim será
não tenho remédio pras feridas
minha garganta seca grita
mas não tem ninguém pra ouvir
ninguém de verdade pra conversar
pra dividir a solidão dos meus passos
esse passos que o vento apaga
e nunca vão saber que eu trilhei
das batalhas que travei
os coites que vi de tão perto
selvagens como eu
sem razão nesse deserto
esperando a chuva refrescar
ou a morte cessar a dor.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Daniel na Cova dos Leões


Aquele gosto amargo do teu corpo
Ficou na minha boca por mais tempo
De amargo então salgado ficou doce,
Assim que o teu cheiro forte e lento
Fez casa nos meus braços e ainda leve
Forte, cego e tenso fez saber
Que ainda era muito e muito pouco.

Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.

Mas, tão certo quanto o erro de ser barco
A motor e insistir em usar os remos,
É o mal que a água faz quando se afoga
E o salva-vidas não está lá porque
Não vemos

 Legião Urbana


Uma musica pra pensa...